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		<title>Dieta</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 19:32:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A festa ainda bombava, mas Jonas praticamente dormia em pé. Sua namorada agarrou-o pelo braço, pagou as duas comandas e &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/11/19/dieta/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=547&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A festa ainda bombava, mas Jonas praticamente dormia em pé. Sua namorada agarrou-o pelo braço, pagou as duas comandas e saíram. Na rua, ele confidenciou “Tô podre de sono.” Ela foi à loja de conveniência do posto de gasolina onde o carro estava estacionado e comprou um <em>Rufles</em> grande: “Ó, pra tu não dormir.”<span id="more-547"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Da Cidade Baixa até onde Priscila morava eram poucas quadras; Jonas conseguiu provar apenas uma batata, que, ainda por cima, veio quebrada. “Manda mensagem quando chegar, tá?” ela pediu ao namorado já pálido e desfigurado de sono. Os dois se beijaram; ele esperou-a entrar em casa antes arrancar.</p>
<p style="text-align:justify;">Sem tirar os olhos do trânsito, Jonas transportou o pacote do painel até o banco do carona; com a mão direita procurou onde a embalagem estava rasgada e os dedos armaram uma barraca de papel alumínio; espiou depressa: o amarelo dos <em>Rufles</em> brilhava no escuro, a partir dali, polegar e indicador recolheram batata por batata para levá-las à boca, num processo repetitivo e automático. O primeiro pedaço de salgadinho foi grande “Tem que dar até em casa”, pensou; partiu a metade com os dentes e pôs sobre a língua, esperando a saliva amolecer antes de engolir. No pedaço seguinte deu vontade de morder: fez isso devagarzinho, lambuzando o paladar com sal e gordura, mas não teve a mesma paciência com o outro, nem com o outro e nem com os outros pedaços&#8230; A mastigação acelerava conforme o carro, o trajeto até sua casa era de 15 minutos, mas precisou de apenas seis para esvaziar o pacote; no resto do caminho, ergueu a cabeça para derrubar os farelos goela abaixo, lambeu os dedos e não parou mais de pensar em comida até guardar o carro na garagem. Um torpedo para o celular da namorada “Tua tática funciona!! Dorme bem&#8230; Te amo!!! S2” e caiu na cama.</p>
<p style="text-align:justify;">Acordou lá pelas quatro da tarde. Sua mãe perguntou se queria que requentasse o churrasco no microondas, mas pegou um pacote de bolacha recheada no armário da cozinha, uma lata de refrigerante na geladeira, deu-lhe um beijo na bochecha e saiu apressado — de carro. Como fazia todos os domingos, encontrou a namorada e alguns amigos no Gasômetro tomando chimarrão; em nenhum momento prestou atenção ao que conversavam, pensava apenas no que poderia comer durante a volta: na dúvida entre um cachorro-quente ou um espetinho, ficou com os dois.</p>
<p style="text-align:justify;">Jonas acrescentou outra tarefa à rotina diária da mãe: pediu que preparasse três sanduíches de presunto e queijo, e todo final de expediente comprava um bauru com ovo. Passou a encarar o trânsito com invejável bom humor. Os outros motoristas viam-no mordendo, mastigando e mexendo o corpo no ritmo da música. O tempo parado nos congestionamentos Jonas aproveitava para descer do carro e comprar guloseimas nos bares e lancherias pelo caminho; também aceitava tudo de comer que fosse oferecido nas sinaleiras — percebeu que precisava facilitar o troco, então se acostumou a manter o porta-trecos sempre cheio de moedas.</p>
<p style="text-align:justify;">As pessoas mais próximas estranharam muito o novo hábito; uns taxaram como loucura, doença; para outros era panaquice, motivo de piada que lhe rendeu apelidos como “Gulosinho do asfalto” e “Michelin” — por causa dos pneuzinhos na barriga que surgiam. O <em>bullying</em> trouxe a vergonha, então mandou colocar películas em todos os vidros, inclusive no para-brisa; resolveu evitar caroneiros: inventou até que havia se envolvido num acidente. O futebol nas terças à noite foi substituído por passeios motorizados, seu trajeto predileto era atravessar Porto Alegre de norte a sul pela 3ª perimetral; passou a fazer questão de ir com a mãe no supermercado; também levava e buscava a namorada na faculdade.</p>
<p style="text-align:justify;">No começo, Priscila também não curtia o comportamento de Jonas ao volante, achava nojento dirigir com as mãos engraxadas e perigoso mudar as marchas entre uma mordida e outra; mas, numa viagem à Gramado, foi surpreendida: jantar romântico (dentro do carro, claro) com direito à luz de velas e pétalas de rosas sobre os tapetes de borracha. No banco da frente, os dois comeram e beberam; no de trás, muito sexo antes de dormirem abraçadinhos. De volta a Porto Alegre, Ela comprou duas mesinhas, daquelas de servir café da manhã na cama, para mobiliar o automóvel. E já que ele esperava no carro durante as compras, Priscila achou justo e fofo mimá-lo com lanches do <em>McDonalds</em> sempre que isso acontecia.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois que a mãe de Jonas morreu, decidiram morar juntos. Levavam uma gostosa vida de casados até que Priscila encasquetou com o próprio tamanho porque só conseguia entrar no carro meio de lado: “Tô gorda, enorme, baleia, uma trolha” e também reclamou da forma física do marido. Jonas trocou de carro (o que acreditou ser uma demonstração de amor), pegou um monovolume, câmbio e piloto automático, TV e aparelho de DVD embutidos, maior espaço interno, etc. Não adiantou. Priscila queria beleza e bem-estar: entupiu o porta-luvas com barras de cereais, biscoitos de aveia e mel e decretou: “A partir de hoje, dentro desse carro, só se bebe refrigerante zero, suco de soja e água mineral.” Jonas, a contragosto, aceitou a imposição.</p>
<p style="text-align:justify;">Na fila do pedágio, num feriadão de novembro, Jonas fixou os olhos na motorista do carro ao lado, que, sozinha, comia rapadura e bebia <em>Coca-Cola</em> de litrão no gargalo. Priscila ficou puta da cara. Os dois começaram a discutir feio — ele reclamou que sentia-se sufocado pelas pressões e paranóias dela, ela jogou nele a culpa por viver daquele jeito: “A gente só consegue transar se eu ficar de quatro.” De comum desacordo decidiram: estava tudo acabado.</p>
<p style="text-align:justify;">Jonas levou Priscila até a casa de praia dos sogros e voltou. No acostamento da rodovia, jogou fora tudo o que era <em>light</em>, <em>diet,</em> zero ou que lembrasse a ex. Entrou no primeiro supermercado que viu, comprou dois quilos de salgadinhos sortidos (pasteizinhos, croquetes, risoles, cadelinhas, coxinhas) e todas as latinhas de cerveja gelada que encontrou no <em>freezer</em>. Voltou para a estrada. Ao volante, chorava e mastigava e bebia. Enfiou com vontade a mão no saco de salgados e puxou um punhado; um risole escapou por entre os dedos. Jonas ficou paralisado por alguns instantes. Com o joelho do dedo indicador acendeu a luz interna, trocou os salgadinhos para a mão esquerda e derrubou a direita no chão; ao mesmo tempo em que tateava o assoalho encarpetado, jogava dentro da boca um salgadinho por vez. Quando encontrou o tal risole, ergueu o corpo, gritou “Te peguei!” Voltou a atenção para a pista e se assustou com um buraco (um verdadeiro rombo no asfalto), virou a direção para à esquerda, seus ouvidos foram obrigados a engolir o barulho ensurdecedor da buzina de um caminhão e comeu com os olhos os grandes faróis branco-azulados que davam sinal de luz. Em desespero, virou o volante todo para o outro lado, saiu da pista em alta velocidade, o carro capotou três vezes no barranco à margem da estrada e bateu numa árvore; ficou parecendo uma lata de sardinha depois de entrar no caminhão do lixo.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo que foi avisada pela Polícia Rodoviária, Priscila correu para o hospital: “Me perdoa”, “Eu te amo”, “Não faz mais isso comigo” e “Prometo que nunca mais vamos brigar” foram frases repetidas várias vezes em poucos minutos. Apesar do acidente feio, o que de mais grave aconteceu a Jonas foi uma fratura exposta na perna, mas como tinha plano de saúde, conseguiu ser operado rapidamente e ganhou pinos de titânio.</p>
<p style="text-align:justify;">O médico recomendou repouso e fisioterapia. Jonas pediu a Priscila que comprasse uma cama <em>king size</em>: além de mais confortável, permitiria a ela dormir ao seu lado sem apanhar à noite dos espasmos.</p>
<p style="text-align:justify;">A fisioterapeuta orientou-o a emagrecer para poder levar uma vida normal novamente. Ele concordou. Priscila comemorou em silêncio e fez de tudo para tornar a alimentação da sua alma gêmea mais saudável, até levou geladeira, fruteira e microondas para o quarto. Foi difícil no começo, Jonas fazia cara de nojo ao colocar qualquer salada na boca, em alguns momentos, se renegava: “Vinagre não! Tenho nojo dessa merda.” Mas como tudo na vida é uma questão de disciplina, Jonas se acostumou à condição: só iogurte natural, pão preto, barras de cereal&#8230; Muito graças à companhia da mulher, que educava pelo exemplo e,  deitada ao seu lado, comia e bebia tudo o que desejava vê-lo comer e beber. As mesinhas para café da manhã finalmente estavam sendo usadas na função original sobre os lençóis.</p>
<p style="text-align:justify;">Um primo de Jonas, pastor duma igreja pentecostal em São Paulo, aproveitou as férias no Rio Grande do Sul para fazer uma visita e assustou-se ao vê-lo ainda deitado, apesar do acidente já estar de aniversário: “Me conta direito como isso aconteceu”, disse o parente. Jonas abocanhou um baita pedaço de sanduíche de atum, com a boca cheia, pediu ao parente que alcançasse o copo de suco de laranja sobre o criado mudo, bebeu sem respirar e contou-lhe sua versão da história, que, claro, omitia a briga com Priscila.<strong><em> </em></strong></p>
<p style="text-align:justify;">“Jesus Cristo! Tu foste abençoado com um verdadeiro milagre. Louvado seja!”, disse a visita para demonstrar o quanto ficara impressionado com a sorte de Jonas, que, por sua vez, concluiu: “Verdade, primo. Só com a proteção de Deus mesmo pra enfrentar essas estradas.”</p>
<p style="text-align:justify;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/547/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/547/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=547&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dor</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 15:58:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A porta prensou meu dedo médio. Doeu. Puta que pariu como doeu. Em vez de arrastá-la pela maçaneta até fechar, &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/11/01/dor/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=508&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">A porta prensou meu dedo médio. Doeu. Puta que pariu como doeu. Em vez de arrastá-la pela maçaneta até fechar, coloquei a mão direita na madeira e puxei, de costas, já adiantando o próximo passo. O vento encanou no corredor. Foi muito rápido, não sei exatamente como descrever a fração de segundo. <span id="more-508"></span>Ouvi o estrondo, senti a pancada, uma araucária inteira segurando minha mão. Engoli a dor para mostrar que sou macho e os palavrões para fingir educação. A vista escureceu. Quando me dei conta, já estava noutro departamento, com os dedos da esquerda apertando os da direita. Exagerei que havia destruído o indicador, precisava contar a todos, mesmo sem ninguém ter perguntado. Primeiro falaram “Deixa eu ver”; só depois ouvi a frase que mudaria minha vida: “Põe gelo”.</p>
<p style="text-align:justify;">Sorte minha, no congelador havia uma fôrma. Tirei quatro cubos e esfreguei sobre o sangue que pingava da pele. O alívio me proporcionou uma inexplicável sensação de prazer que se espalhou por todo o corpo. Cheguei a chorar lágrimas suficientes apenas para umedecer os olhos, salivei como se um espeto de picanha mal passada girasse na minha frente e suspirei tranquilidade quando senti a pressão dos músculos no maxilar.</p>
<p style="text-align:justify;">“Enrola aqui”, disse a colega estendendo um paninho. Rejeitei com um sorriso no rosto; continuei parado, com a barriga encostada na pia da cozinha, forjando os cubos com o quentume da minha dor, até derreterem.</p>
<p style="text-align:justify;">Em casa, o dedo latejava; não conseguia deixar de pensar no que o frio proporcionou. Fui até a cozinha, vasculhei os armários atrás das forminhas de gelo: tinha duas; enchi de água e foram ao <em>freezer</em>; regulei na potência máxima, para ir mais rápido. O despertador tocou no meio da madrugada e os cubinhos já estavam lá, durinhos, suavam pó congelado; entortei o plástico e escorregaram até uma leiteira, a única coisa de alumínio que tinha.</p>
<p style="text-align:justify;">Voltei para o quarto, acendi a luz — queria enxergar bem — coloquei a mão direita no marco e fechei a porta com tudo! Mas sei lá o que aconteceu, doeu bem menos. Olhei a mão, três dedos raspados, querendo sangrar. Concluí que foi erro de cálculo: a intensidade da pancada acabou distribuída. Fui até a garagem e, com o martelo, detonei o polegar. Aí sim, dor! Cu, caralho, boceta! Muita dor. A unha imediatamente se pintou de roxo. Só que o gelo não foi suficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">“Mantém virado pra cima” disse a moça da farmácia onde comprei <em>Biofenac </em>aerossol. Abri a embalagem lá mesmo e infestei o lugar com cheiro de cânfora e hortelã misturados. Frio e quente ao mesmo tempo, uma sensação refrescante, quase como a mistura de creme dental e ar num dente careado; minhas pernas amoleceram. Comprei antiinflamatórios e pomadas e saí caminhando normalmente pela rua deserta, com as mãos apontadas para o chão, balançando de um lado para o outro, no ritmo da pressão sanguínea.</p>
<p style="text-align:justify;">Em poucas semanas, nem martelo nem outras formas de mutilação eram suficientes; meus dedos inchavam resistência. Tratei de procurar novas distrações. Impossível não perceber a tristeza absurda dos gremistas com o rebaixamento à segunda divisão. Não pensei duas vezes: no ano seguinte, lá estava eu, sofrendo junto. Apanhamos de tudo quanto é time; colecionamos fiascos: eliminados do Gauchão, da Copa do Brasil; levamos quatro do Anapolina. E o que foi a Batalha dos Aflitos? Coisa mais bizarra. Fiquei meio sem noção vendo aquilo, quase tive um enfarto aos 21; a cada expulsão, berros; a cada pênalti, acessos de fúria&#8230; No gol do Grêmio surtei, saí chutando as paredes e fazendo baderna pelas ruas. Comecei a encher a cara e só parei em 2009. O time ficou frouxo e sem vibração, lembrava em nada os anos anteriores; brigar com colorados também havia perdido a graça.</p>
<p style="text-align:justify;">O trago até ajudou por um tempinho&#8230; A galera convidava para sair, era festa, festa e festa.   Aí uma guria me ofereceu cocaína. Virgínia, o nome dela. Eu não queria mais outra coisa senão cheirar uma carreira atrás da outra.  O pó me ajudou a socializar; chapado era mais fácil conversar com as minas.</p>
<p style="text-align:justify;">A Virgínia tinha um rolo complicado com um cara aí. Os dois estavam sempre se matando. Ele batia nela em casa, na rua, nas festas e ela se defendia do jeito que dava, uma vez mordeu o rosto dele, perto do olho. Não sei se apanhava porque era puta ou era puta porque apanhava, mas não se largavam; aliás, ainda não se largaram. Quem não conhece e flagra eles numa fase “de bem” fica impressionado com a química. Realmente é muito afudê aquela coisa toda, um exagero de afetos que faz suar, dá pra sentir de longe o cheiro do tesão; as conversas são tensas, para cada patada, um carinho.</p>
<p style="text-align:justify;">Rola uma inveja, não tenho como negar. A gente passa tanto tempo juntos que esse jeito de ser deles me convenceu: agora eu tô aí, procurando uma namorada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/508/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/508/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=508&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cafeína</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Oct 2011 02:24:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[No sonho, a Laura e eu passeávamos de mãos dadas por longos e largos corredores duma loja de departamentos. As &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/10/09/cafeina/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=495&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">No sonho, a Laura e eu passeávamos de mãos dadas por longos e largos corredores duma loja de departamentos. As roupas dela eram bem anos 60: vestido azul marinho com bolinhas brancas, o cabelo imóvel descia até o início do rosto; luvas bege completavam o que lembro do seu visual. Olhávamos cadeiras de vime, baús, mesas de centro, armários e outras coisas que não consigo descrever, apenas sei que estavam lá. Tons marrom-envernizados imprimam ar rústico ao lugar e estantes de madeira compartimentavam o infinito.<span id="more-495"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Uma enorme <em>Limusine</em> branca destacava-se em meio ao tudo, estacionada soberana sobre o piso de <em>parquet</em>; ao redor, um cercadinho demarcava seu espaço. Mostrei para a Laura; quando me dei conta, ela estava ao lado do carro, dançando <em>rock</em>. Lembro de tirar a mão esquerda do escuro duma prateleira: eu segurava uma máquina fotográfica bem, mas bem antiga.</p>
<p style="text-align:justify;">Ouvi latidos. Do nada o chão começou a tremer e vinham uns barulhos de cima. Os gritos do cachorro aumentaram de volume, tornando-se mais insuportáveis que um alarme. Ficou tudo preto. Abri os olhos no susto; ainda meio dormindo, percebi o Prince no meu quarto, bravo como nunca, ele pateava desesperado em círculos, com a cabeça para cima. Levantei da cama e perguntei-lhe o que tinha acontecido; nisso, a Mãe já estava em pé, abriu a janela dos fundos, acendeu a luz e resmungou: “Vou soltar”. Enquanto ela pegava a chave, fui até à porta da frente; vi passar pela basculante um vulto, não sei por quê deduzi ser a Mãe; numa fração de segundos acordei: abri a janelinha: um vileiro escroto dentro do pátio. Gritei “Não sai, Mãe, não sai!”. Tarde. O Prince correu desesperado, mas o filho da puta foi muito rápido, pulou por cima das grades como se elas não estivessem ali e saiu caminhando tranquilo pela minha calçada. Era escuro, mas vi bem: moreno, traços indígenas, cabelo amarelo bem curto, usava jaqueta cinza, o zíper fechado até em cima, tapando o pescoço, calça de moletom preta e <em>Nike</em> branco.</p>
<p style="text-align:justify;">A Mãe voltou assustada e sussurrou uma ordem: “Sai daí!”. Obedeci pensando se ligava ou não para a Brigada: “Se pegarem, soltam em meia hora e ele vai saber qual casa denunciou”, disse comigo; fiquei com medo de receber outra visita, mas lembrei que policiais gostam de abusar da autoridade, então liguei na torcida para cagarem aquele chinelo a pau.</p>
<p style="text-align:justify;">Meia hora depois uma viatura apareceu, parou na frente de casa, jogou luz alta no pátio e foi embora. Nem dei bola para eficiência deles. Minha preocupação era a Mãe: estava pálida, tremia bastante, tive medo da pressão subir. Preparei um chá de camomila com jurubeba. Me sinto ridículo quando não sei o que fazer e apelo para Deus ou para a sabedoria popular.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela estava apavorada com a ideia de alguém tentar entrar em nossa casa; nunca tinha acontecido. No cérebro da minha Mãe, os efeitos dos pensamentos são mais nocivos do que qualquer outro alucinógeno.  Inventei argumentos na esperança de enganá-la, disse que o filho da puta devia estar fugindo e só usou o telhado para se esconder. “Tu acha mesmo?”. Respondi, duvidando, que ninguém faria isso sozinho. No desespero, ela encontrou uma convicção para se agarrar: “De manhã saio atrás dum serralheiro, vou reforçar as grades das janelas, quero um portão de ferro em cada porta”. Não tinha como convencê-la do contrário, não consegui fingir tranquilidade, mesmo consciente do exagero. Para quem está acostumado ao sossego, foi muita violência. O mínimo é suficiente para deixar em pânico. O medo inverte ideologias e acaba com a tolerância. Fiquei aliviado ao imaginar que os “torto” normalmente têm vida curta; desejei todos fodidos no <em>crack</em>, exibindo dentes podres e cara de choro em troca de moedas para finalmente tirá-los de circulação. O cenário ideal para mantê-los longe, na verdade, estava dentro de mim.</p>
<p style="text-align:justify;">Consegui convencer a Mãe a deitar de novo. Também voltei para cama, me enfiei embaixo das cobertas, o colchão já estava frio e meu pescoço rijo. Virei de lado, encolhi as pernas e fechei os olhos para continuar acordado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/495/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/495/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=495&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Injustiça</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/18/injustica/</link>
		<comments>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/18/injustica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 02:33:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Até entendo essa raiva do cafajeste. Te achou usada, traída, humilhada, né? Burra por ter se entregado a uma relação &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/18/injustica/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=435&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Até entendo essa raiva do cafajeste. Te achou usada, traída, humilhada, né? Burra por ter se entregado a uma relação que só existia na tua cabeça.</p>
<p style="text-align:justify;">De nada adianta tentar destruir a reputação do cara: só vai deixá-lo mais atraente aos olhos das tuas amigas. E, na boa, tu sabia desde o início, mas acreditou que por ti ele mudaria.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-435"></span>Se hoje o sem-vergonha não merece consideração e a senhorita atravessa a rua pra não agredi-lo, seja justa pelo menos em pensamento: agradeça tudo que ele te fez.</p>
<p style="text-align:justify;">Tu só reencontrou a vaidade na esperança de fazê-lo se arrepender: voltou pra academia, emagreceu os quilinhos que há anos te incomodavam e tonificou a bunda. Blusas decotadas, saias curtas e vestidos apertados passaram a colorir teu guarda-roupa.</p>
<p style="text-align:justify;">Procurou na balada a esperança de ser vista curtindo a vida, aí percebeu: também podia passar o rodo. Pra se vingar, deixou o mundo conhecer as curvas onde antes apenas ele se perdia; descobriu como é bom usar e ser usada, aprendeu a viver passando o domingo inteiro sem sair do quarto.</p>
<p style="text-align:justify;">Aceitou que agir por interesse é qualidade de todo o ser humano; o defeito está em negar, se fazer de boazinha, acreditar na gratuidade do amor por não se achar capaz de oferecer nada em troca.</p>
<p style="text-align:justify;">Tu conseguiu olhar o espelho nos olhos; a tolerância te ensinou a se gostar. Não fosse por ele, continuaria abrindo mão de tudo na ilusão de uma vida perfeita. Te contentaria apenas com uma festa de casamento em clube bacana pra centenas de convidados.</p>
<p style="text-align:justify;">O cafa merece melhor reconhecimento, afinal, exerce a função de educador. Se cobrasse, seria a puta de terno, mas faz por prazer. É fiel a si mesmo. Presta um grande serviço à humanidade: acaba com a inocência. É o verdadeiro responsável pela evolução da mulher no mercado de trabalho. O grande incentivador da igualdade entre os sexos. Sem ele, vocês não teriam contra quem se revoltar, nem motivos para viajar sozinhas nem por quê desejar a independência.</p>
<p style="text-align:justify;">O cafajeste é um feminista convicto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/435/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/435/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=435&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Caso pensado</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/15/caso_pensado/</link>
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		<pubDate>Sat, 16 Jul 2011 02:05:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Tu já cansou de namorar galinhas, cafajestes, sem-vergonhas. Gastou muito dinheiro com terapia, chorou milhares de vezes a mesma história &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/15/caso_pensado/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=425&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Tu já cansou de namorar galinhas, cafajestes, sem-vergonhas. Gastou muito dinheiro com terapia, chorou milhares de vezes a mesma história para as amigas, ficou rabugenta aos vinte e poucos de tanto reclamar. Aí se dá conta que o sofrimento é resultado das tuas escolhas.</p>
<p style="text-align:justify;">E resolve tentar com o bonzinho.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-425"></span>Aquele cara bacana, sensível, confidente e culto. O amigo que até ontem era assexuado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele tá sempre à disposição; é só ligar, nunca te deixa esperando. Se fosse <em>motoboy</em>, ficaria milionário fazendo tele-entrega. Te leva ao supermercado, segura a bolsa no <em>shopping</em>, troca a resistência do chuveiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Pro bonzinho ser perfeito, só falta ficar bom.</p>
<p style="text-align:justify;">Como a senhorita é prepotente, acredita ser capaz de torná-lo “O” melhor. Acha que trocou o cachorro por um cachorrinho. Se exibe pras amigas:</p>
<p style="text-align:justify;">— Come aqui ó, na minha mão.</p>
<p style="text-align:justify;">Homem que estufa o peito pra dizer “Sou diferente” é hipócrita. Sempre sonhou ser cafajeste, mas nunca teve oportunidade. Prefere ficar esperando, de pau duro, uma fêmea cair no colo.</p>
<p style="text-align:justify;">Bonzinho é mais inseguro que gorda na beira da praia. Não se sente amado, então faz de tudo pra agradar. Tu sai do trabalho, tá ele na portaria, esperando. No início é romântico, mas surpresa todo dia dá medo.</p>
<p style="text-align:justify;">O cara vai conquistar tuas amigas, tua mãe, teu pai — sogro que é sogro deve detestar o namorado da filha, cumprimentar apenas por educação e com o bafo cheirando a indiferença.</p>
<p style="text-align:justify;">Genro que despista o faro do velho é ser humano da pior espécie. Tem tudo pra ser psicopata, mas gosta de chorar. Adora uma DR, exige carinho, reclama atenção. Se apropria das neuroses e desconfianças femininas: controla <em>Twitter</em>, futrica no <em>Facebook</em>, invade o histórico das conversas pelo <em>MSN</em>, faz fiasco em fila de casa noturna, exige que todas as fotos com o ex sejam rasgadas.</p>
<p style="text-align:justify;"><em></em>Sair sozinha? Nem escondida.<em> Happy hour</em> com as colegas nunca mais. Ele curte telefonar, saber onde tu te enfiou e com quem; se despede dizendo “Tô indo praí”.</p>
<p style="text-align:justify;">Vocês nunca tiveram os mesmos gostos, interesses e esquisitices: ele se falsificou pra ser aceito. Presta atenção a tudo o que tu diz, lembra do primeiro beijo, sabe quando é teu período fértil; repara na cor do esmalte, corte de cabelo e roupa. O cara sabe: mulher vaidosa atrai machos.</p>
<p style="text-align:justify;">O maior talento do bonzinho é acabar com a autoestima dos outros.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele vai te convidar pra comer fora todos os dias, te presentear com os melhores bombons e sorvetes; te fazer acreditar que sem maquiagem tu fica ainda mais linda, vestida pra faxina ainda mais sexy e teu cabelo sem coloração, chapinha ou xampu ainda mais sedoso.</p>
<p style="text-align:justify;">O Bonzinho disfarça a perversidade na forma de pequenos carinhos. Maldade diluída na repetição passa despercebida. Em pouco tempo, nem ele mesmo vai querer te comer. Acabam-se os mimos e elogios; começam ofensas, chantagens e <em>bullyng</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">Tu se entregou por inteira.</p>
<p style="text-align:justify;">O galinha é muito mais confiável. Te mantém viva fazendo o que aprendeu com as outras.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/425/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=425&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Convicção</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/08/conviccao/</link>
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		<pubDate>Sat, 09 Jul 2011 02:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[É bom ser hipócrita! Um dos poucos prazeres (talvez o único) que a vida em sociedade não nos obrigou a &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/08/conviccao/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=398&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">É bom ser hipócrita! Um dos poucos prazeres (talvez o único) que a vida em sociedade não nos obrigou a gozar escondido, nem impôs regras de etiqueta. Na real, a hipocrisia deu a volta no discurso e se fantasiou de educação. Quanto mais civilizados, mais falsos podemos ficar. Aí todo mundo aceita a obrigação de elogiar publicamente nossa gentileza.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-398"></span> Encontro entre dois hipócritas igual a loop infinito.</p>
<p style="text-align:justify;">Falsidade também é masoquismo. A gente até sente um mal-estar, mas gostamos mesmo assim. Tipo arrancar casca de ferida: aquela coisa de provocar a dor pra tremer de alívio.</p>
<p style="text-align:justify;">Não fui ensinado a dizer o que penso; apesar da minha mãe conservar até hoje uma sinceridade insuportável, ela sempre tem uma opinião mais dura pra revelar depois que a pessoa vira as costas.</p>
<p style="text-align:justify;">Aprendi a me sentir fodástico quando alguém deseja saber o que eu acho: “Tri gata minha mina, né?”, “Gostou da comida?”, “Curtiu o texto? Sério, pode falar a verdade&#8230;”.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem pede sinceridade está implorando elogio. Resposta escondida antes do ponto de interrogação demonstra falsa insegurança. O meu “Aham, claro” significa “Não quero te magoar”.</p>
<p style="text-align:justify;">A hipocrisia só existe na arrogância. Todo hipócrita jura ter nascido melhor que os outros; acredita ser detentor duma verdade absoluta, autor de ideias revolucionárias e gênio incompreendido. Exercita a bondade deixando os coitados entender no momento certo: “Cada um tem o seu tempo”.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois que descobri essa queda pela falsidade, eventos sociais viraram <em>playground</em>. Controlo meu comportamento como uma senhora aposentada controla a vida dos vizinhos. Antes de sair da boca, cada palavra sofre censura interna (forço a cabeça pra traduzir ofensas em adjetivos agradáveis); fiz clareamento nos dentes pra evitar o sorriso amarelo; toco no ombro do interlocutor enquanto converso; aprendi a gesticular devagar; finjo atenção ao papo; a cada intervenção, pronuncio o nome da pessoa.</p>
<p style="text-align:justify;">Posso mudar minha personalidade quantas vezes for preciso pra continuar pagando de bom moço.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas vou continuar pensando mal de todo mundo. Sou um hipócrita coerente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/398/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/398/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=398&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Preciso de mim</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/05/preciso-de-mim/</link>
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		<pubDate>Tue, 05 Jul 2011 04:20:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ando preocupado com a imitação. Ultimamente meus textos têm saído iguais aos do Carpinejar. O mundo não precisa de outro &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/05/preciso-de-mim/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=367&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ando preocupado com a imitação. Ultimamente meus textos têm saído iguais aos do Carpinejar.</p>
<p style="text-align:justify;">O mundo não precisa de outro Fabrício. Ao querer imitá-lo, fujo de tentar ser eu; ao conseguir, viro um Fabro piorado, por melhor que seja o texto.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-367"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A pessoa que compara muito tem pânico de ser única. Aceita — muitas vezes prefere — ser rotulada como boa ou ruim só para evitar se encontrar. Paga de diferente usando as roupas que vão virar tendência, ouvindo as músicas que ninguém escuta porque ainda não descobriram.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem antecipa a moda é apenas o primeiro a copiar. Controlamos o nervosismo fazendo o que já foi feito; desejamos repetir façanhas e nos igualar a quem julgamos melhor.</p>
<p style="text-align:justify;">As vezes travo discussões imaginárias com o ídolo; me vejo em algum café de Porto Alegre entregando-lhe um calhamaço cheio histórias e teorias:</p>
<p style="text-align:justify;">— Tô te imitando, mas juro que é sem querer.</p>
<p style="text-align:justify;">— Fica tranquilo. É assim mesmo; primeiro copiamos para depois conquistar um estilo próprio. Nada se cria, tudo se adapta.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas no meio da conversa digo para mim mesmo:</p>
<p style="text-align:justify;">— Cara, isso é apenas o jeito que encontrei de me justificar pra continuar fazendo.</p>
<p style="text-align:justify;">Gosto de pegar leve comigo. Adoro repetir uma técnica já aprendida. É algo incontrolável, para mostrar que sei. Quando penso, já era; quando leio, já tá escrito.</p>
<p style="text-align:justify;">Doei <em>Canalha!</em>, <em>Mulher Perdigueira</em> e <em>Borralheiro</em> pra biblioteca pública de Sapucaia. Queria evitar a tentação, mas acesso o blog e compro <em>Zero Hora</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">As ideias são minhas; as palavras, de qualquer um que fale Português; mesmo assim meu texto se apropria do tom, do ritmo, as vezes até do efeito das crônicas do Carpinejar.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de ser publicado, lido e reconhecido, preciso ser original. Talvez o primeiro passo seja perder a arrogância.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/367/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/367/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=367&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Complexo de patinho feio</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/01/complexo-de-patinho-feio/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 21:29:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Não existe mulher feia. Existe mulher que não se acha bonita. Vivo no Rio Grande do Sul, aqui o problema &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/07/01/complexo-de-patinho-feio/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=345&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não existe mulher feia. Existe mulher que não se acha bonita.</p>
<p style="text-align:justify;">Vivo no Rio Grande do Sul, aqui o problema dos homens é decidir qual a mais gata. Evitamos pensar muito — a vontade de levar todas pra casa pode nos deixar na mão.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-345"></span>Muitos confundem Gaúchas com arrogância. O nariz empinado é só pra disfarçar algum defeito que elas acreditam possuir; a insegurança das gurias é comparável a de um <em>nerd</em> em quarto de motel. Sempre vai existir outra mais alta, mais magra, mais inteligente, mais bem sucedida&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mulher só se compara a quem considera superior. O critério feminino é muito rígido: uma cobra das outras nas entrelinhas ao contar do namorado novo, do sapato caro, do aumento no salário. E todas cobram de si mesmas.</p>
<p style="text-align:justify;">O raciocínio delas é tão binário quanto o do homem. Da boca pra fora podem até dizer “Nossa, amiiiga, como tu tá linda!”, mas por dentro passam a se achar feias, gordas, pobres e mal amadas.</p>
<p style="text-align:justify;">Cada mulher sai de casa com baixa autoestima ensinada pela família. Reclamam que a sociedade é machista, mas são as mães que educam os filhos. O mundo não vai virar feminino quando elas dominarem de vez o mercado de trabalho; mas se os homens resolverem ser Do Lar.</p>
<p style="text-align:justify;">A mulher já deveria nascer com duas certezas: que vai morrer e que todo macho tá louco pra virar e olhar sua bunda.</p>
<p style="text-align:justify;">Tem muita moça assumindo visual de baranga pra se proteger da opinião dos outros. Várias pintam o cabelo de azul, vermelho, rosa-choque (conheço uma que deixou de escovar os dentes). Inventam de mentir para si mesmas que não se preocupam com a aparência. Mantém uma coerência inventada no fracasso: discursam contra o fútil, fingem preferir malhar o cérebro, falam de felicidade enrugando a testa e mordendo com raiva cada palavra.</p>
<p style="text-align:justify;">A pessoa que diz: “Sonho ter ao meu lado alguém que me aceite como sou” é quem menos se aceita.</p>
<p style="text-align:justify;">Detestar a si próprio é o melhor repelente.</p>
<p style="text-align:justify;">Sempre que recebo alguma visita indesejada, ou me ligam convidando pra festas de merda, desabafo:</p>
<p style="text-align:justify;">— Tá tudo errado na minha vida! Tudo!</p>
<p style="text-align:justify;">Mala que é sem alça tira qualquer um pra terapeuta.</p>
<p style="text-align:justify;">Sonego de propósito o que vem dando certo na minha vida. Edito os conteúdos com a imparcialidade jornalística da TV Record. Me faço de patinho feio: digo que fui rejeitado, desprezado. Jogo nos outros a culpa pelas minhas cagadas; justifico incompetência usando o tempo contra mim. Me faço de vítima da sociedade capitalista de consumo que só valoriza dinheiro, poder e beleza.</p>
<p style="text-align:justify;">Os amigos vão sair falando “Ele é um chato, só reclama!”.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem tem muita convicção ao acusar já cometeu o mesmo crime. O medíocre aponta o dedo pra evitar ser descoberto.</p>
<p style="text-align:justify;">Minha técnica funciona; e muito. É bastante útil se saber vilão da própria história. Assim dá pra continuar namorando a solidão, sentado no conforto do lugar comum.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/345/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/345/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=345&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Com que roupa ela vai?</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/06/23/com-que-roupa-ela-vai/</link>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2011 04:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda mulher afirma se vestir para as outras mulheres. Nem o mais tapado dos machos acredita; muito menos ousa discordar. &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/06/23/com-que-roupa-ela-vai/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=309&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Toda mulher afirma se vestir para as outras mulheres. Nem o mais tapado dos machos acredita; muito menos ousa discordar.</p>
<p style="text-align:justify;">Elas conseguem fingir orgasmos; não sinceridade. Pensam nos enganar —  na real, escolhemos evitar frustrações (não lidamos bem com isso); preferimos desconhecer o que a namorada pensa: aí, quando o amor acaba, a gente se faz de vítima.<span id="more-309"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Mulheres nunca confessam tudo, só contam meias-verdades. Curtem brincar com a objetividade masculina e despistar nosso faro visual. É o mesmo prazer que sentimos ao divulgar, orgulhosos, o melhor senso de espaço e direção.</p>
<p style="text-align:justify;">Mulheres são experts em atingir o meio termo, aprendem como encontrar o equilíbrio em revistas, livros de auto-ajuda e aulas de iôga; por isso muitas aceitam ser amantes. Só admitem o instinto invejoso para negar que Freud estava certo: pau é poder.</p>
<p style="text-align:justify;">Mulher não se veste para o homem; se veste para não perdê-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Existem muito mais significados na frase “Olha, Amor, entrei no vestido!” do que sonha nossa vã masculinidade.</p>
<p style="text-align:justify;">A neura com uma barriga que só o espelho vê, a cisma em eliminar gordurinhas mínimas (que todo macho gosta de apertar); a mania de achar o cabelo horrível. Tudo isso é para intimidar qualquer umazinha que se atreva chegar perto da sua propriedade; e mostrar que ainda é bonita, gostosa e inteligente a ponto de manter seu homem.</p>
<p style="text-align:justify;">O maior fracasso para uma mulher é não se achar boa o suficiente.</p>
<p style="text-align:justify;">Se ela é solteira, vai malhar, comer capim, alpiste (chamar de light, pagar caro e mentir que é bom); botar a roupa mais apertada e mostrar ser forte concorrente, capaz de vencer quem se acha melhor só por causa da aliança no dedo.</p>
<p style="text-align:justify;">Inventa de perguntar por que uma mulher tão bonita quanto ela está sozinha. A resposta vai ser:</p>
<p style="text-align:justify;">— Porque eu quero.</p>
<p style="text-align:justify;">Mulher adora se dizer senhora do próprio destino. Mesmo quando é traída, rejeitada, ou está há meses (talvez anos) sem sexo.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, principalmente, mulher gosta de ver seu homem inseguro para sentir-se segura de si.</p>
<p style="text-align:justify;">O pensamento feminino alicia nossos passos. Elas assumem o poder nos deixando a sensação de estarmos livres para passar a piroca. Se tivessem pau, não usariam tão bem.</p>
<p style="text-align:justify;"> A mulher quer ao seu lado um homem capaz de traí-la, só para reconquistá-lo de novo. Todos os dias.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/lisandropessi.wordpress.com/309/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/lisandropessi.wordpress.com/309/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=309&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cargo vitalício</title>
		<link>http://lisandropessi.wordpress.com/2011/06/14/cargo-vitalicio/</link>
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		<pubDate>Tue, 14 Jun 2011 18:39:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lisandropessi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser Filho é destino, é a vida de presente, é herança genética, é o único jeito, é bom e ruim.  &#8230;<p><a href="http://lisandropessi.wordpress.com/2011/06/14/cargo-vitalicio/">Continuar lendo &#187; </a></p><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=lisandropessi.wordpress.com&amp;blog=6353664&amp;post=276&amp;subd=lisandropessi&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Ser Filho é destino, é a vida de presente, é herança genética, é o único jeito, é bom e ruim.  Também deveria ser profissão, reconhecida no Ministério do Trabalho, assim como Metalúrgico, Dona de Casa ou Prostituta.</p>
<p style="text-align:justify;">Filhos têm direitos e deveres explícitos nas entrelinhas — igualzinho a Publicitários e Jogadores de Futebol. Precisam cumprir horários para acordar, estudar, almoçar e ir dormir (pelo menos no início da carreira), devem se comportar bem e exercer suas funções em casa, a sede da organização familiar.</p>
<p style="text-align:justify;"><span id="more-276"></span>Famílias são as empresas responsáveis pela produção de amor. Os Filhos se ocupam com a distribuição; divulgam a qualidade do serviço prestado na lista de chamada, nas roupas que vestem, na forma como falam e tratam os outros.</p>
<p style="text-align:justify;">São remunerados com carinho, cuidado e mimos durante uma vida; têm 13º todo o mês, adiantamento sempre que solicitado e participação nos resultados — felicidade de um é felicidade de todos.</p>
<p style="text-align:justify;">Os governantes deviam pensar no assunto. Seria um baita negócio para o Estado, a chance de diminuir o déficit nas contas públicas sem assaltar os cidadãos com novos impostos. Todos fariam questão de contribuir com a Previdência Social (os abandonados também, para se sentirem menos rejeitados aos olhos dos outros). Quanto menos traumático fosse o relacionamento com o Pai e Mãe, mais as pessoas iriam gostar de pagar.</p>
<p style="text-align:justify;">Logo surgiria um órgão regulador, tipo OAB e CREA; faculdades, programas de pós-graduação e MBAs. A competição para ver quem é o melhor Filho se tornaria cada vez mais acirrada.</p>
<p style="text-align:justify;">Claro, seriam necessários alguns investimentos, a criação de uma legislação específica. Órfãos mereceriam receber Seguro Desemprego até encontrarem nova Família. Cada rebento teria direito à Licença Filiaridade para prestar assistência aos Pais (em caso de doença).</p>
<p style="text-align:justify;">Mas a maior vantagem para o governo está no sangue: Filho nenhum jamais vai querer se aposentar.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><code><a href='http://twitter.com/lisandropessi' class='twitter-follow-button' data-text-color='#333333' data-link-color='#990000'>Follow @lisandropessi</a></code></p>
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